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AS GRADUAÇÕES NO KARATE SHOTOKAN

AS GRADUAÇÕES NO KARATE SHOTOKAN
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Dia 18/07/2021 16h20

FILIADA À CONFEDERAÇÃO DE KARATE PALMAS TO FEDERAÇÃO DE KARATÊ TOCANTINS CNPJ - 03920342000118 Cidade: Palmas - Tocantins End: A. Verde 403 N. 0AV. L0 14... Fone: 63981368020 | 63984157545 Site: www.karate-to.com.br AS GRADUAÇÕES NO KARATE SHOTOKAN AS EXIGÊNCIAS IMPOSTAS PELA DAI NIPPON BUTOKUKAI

Para ser reconhecido pela Dai Nippon Butokukai, o Karate teve que adotar alguns critérios que eram comuns a todas as artes marciais japonesas (Budo):

 

Usar o sufixo “DO (道)” como parte do nome;

Adaptar-se a metodologia de ensino das artes marciais japonesas;

Usar o Dogi (que era o uniforme do Judô e que foi imposto a todas as artes);

Adotar o sistema de graduação Kyu/Dan existente na época, que era composto da faixa branca para iniciantes, marrom para intermediários, preta para os avançados. Mais tarde incluiu a faixa branca e vermelha (coral) para quem já tivesse uma proficiência de mestre, a faixa vermelha e por ultimo, conta-se, a branca mais larga para fundador de estilo. Esse sistema de graduação era chamado de sistema Kano (pois fora desenvolvido por Jigoro Kano, fundador do Judô, Ministro da Educação, primeiro japonês membro do Comitê Olímpico Internacional e a maior autoridade das artes marciais japonesas da época).

 

 

gichin funakoshi tekki 1 Shinjigenkan Brasil

Funakoshi sensei com a máxima graduação da época, o 5º Dan

Gichin Funakoshi Sensei possuía a maior graduação possível na época, de 5º Dan. Foi só no início da década de 1960 que foram incluídos os graus de 6º a 10º Dan no sistema Kano, após a morte de Funakoshi. Concluímos, com isso, que o Pai do Karate Moderno nunca usou a faixa coral (inserida no sistema para diferenciar os possuidores de grau Dan — Yudansha — dos peritos que eram antigos no grau Dan — Kodansha — e que era outorgada a partir do 6º Dan). A Japan Karate Association resistiu até o final da década de 1960 para incluir os outros cinco Dan e a Shotokai nunca os incluiu. Esse é o motivo pelo qual ninguém nunca usou a faixa coral no Shotokan. Nenhum grande mestre gostaria de ofender a memória de Funakoshi sensei usando uma faixa que representa um nível superior ao dele (coral ou vermelha), portanto mesmo aqueles graduados 10º Dan, como Masatoshi Nakayama, Hirokazu Kanazawa ou Tetsuhiko Asai sempre usaram a faixa preta.

 

As Faixas

Inicialmente no sistema Kano, também usado no Shotokan, haviam só as faixas branca (para iniciantes) e marrom (para intermediários) precedendo a faixa preta (destinada aos especialistas). Foi muito tempo depois que as faixas verde e roxa foram incluídas para ajudar a diferenciar melhor os estágios de aprendizado dos iniciantes. Há muito pouco tempo vem sendo usadas outras faixas coloridas no Japão (amarela, laranja e azul), principalmente para estimular as crianças. Cada país, porém, criou um sistema próprio de classificação dos iniciantes e adotou diferentes cores para esses estágios.

 

Um dos primeiros sistemas com outras cores surgiu na Inglaterra, em 1927, elaborado por Gunji Koizumi Sensei, que instituiu em Londres as cores para diferenciar os Kyu. Essa ideia se espalhou pelo mundo.

 

coloured belts Shinjigenkan Brasil

Faixas coloridas usadas pelos mudansha

As escolas de Karate que funcionavam dentro das YMCA (ACM no Brasil) também criaram e adotaram seu sistema. O sistema que parece ter inspirado a classificação de cores mais usada no Brasil, porém, foi o sistema Kawaishi. Nesse sistema (criado pelo instrutor de Judô e Karate Mikinosuke Kawaishi), as cores usadas eram amarelo, laranja, verde, roxo, marrom e, por fim, a preta. Ninguém sabe ao certo, porém, porque os mestres brasileiros inseriram a faixa vermelha, destinada aos detentores de 9º e 10º Dan das outras escolas, entre os Kyu do Shotokan do Brasil. A hipótese que melhor explica a sequência brasileira de cores vem das artes plásticas: nessa área do conhecimento, é um saber comum e banal que amarelo e vermelho unidos dão origem ao laranja, e que verde e roxo misturados dão origem ao marrom. Provavelmente nossos predecessores imaginaram que assim ficaria agradável ao público, mas não há explicação exata. Essas cores não tem a ver com sistemas simbólicos orientais, então a psicologia cromática ocidental das cores é a hipótese principal. Confira a simbologia das tradições do leste asiático em: https://shinjigenkan.com.br/principios-fundamentais-das-cinco-artes-chinesas/

 

Muitas discussões e opiniões sobre esses sistemas de graduação de Karate vêm povoando os fóruns e grupos de discussão de Karate na internet, especialmente nas redes sociais. O problema é que essas discussões nunca são sobre o programa técnico dos estágios de aprendizagem, que é o que realmente importa e acaba se restringindo a coisas vazias como a cor das faixas que devem ser usadas ou que “meu mestre mandou fazer assim”. Acabam como discussões sem sentido iguais a conversas de bar, sem embasamento em nenhum autor ou programa de ensino oficial, acabando sempre de forma improdutiva e vencidas ou encerradas “no grito”. Quanto à definições sobre programa técnico e sistema de graduação no estilo Shotokan, via de regra, deve-se observar as escolas japonesas de Karate como a Japan Karate Association (JKA) e a Japan Karate Shotorenmei (JKS), Karate no Michi Federation (KWF), etc. Todas as escolas utilizam o sistema Kyu-Dan originalmente desenvolvido por Jigoro Kano para a Dai Nippon Butokukai e aplicado a todas as formas de Budo no início do século XX. Atualmente as escolas utilizam formas modificadas do sistema Kyu-Dan original, como uma evolução natural do processo de ensino-aprendizagem. Conforme as necessidades foram aparecendo, ou outras metodologias de ensino foram se mostrando mais eficazes, o número de Kyu e os programas técnicos foram alterados e aperfeiçoados. Junto com isso em alguns casos modificou-se também as cores das faixas que representavam os Kyu, o que causa em muitos praticantes e instrutores brasileiros um profundo calafrio na espinha.

 

A JKA Japão utiliza atualmente: faixa branca para mukyu e de 10º a 9º kyu (crianças em alguns dojo recebem a faixa amarela), 8º e 7º faixa verde, de 6º a 4º kyu faixa roxa e de 3º a 1º marrom. No Shotokan todos os Dans usam faixa preta, em outros estilos e outras artes marciais japonesas (outros Budo) pode-se usar kohaku obi (vermelha e branca) de 6º a 8º Dan e akai obi (vermelha) para 9º e 10º Dan. Você pode saber mais sobre a história do estilo Shotokan pelas palavras do próprio mestre Nakayama em nosso post com sua entrevista a Rassel sensei: https://shinjigenkan.com.br/conversacoes-com-mestre-nakayama/

 

Na JKS Japão também se usa a sequência de faixas coloridas semelhante a da JKA Japão, exceto em alguns Dojo especializados no ensino de crianças como o Kaishi Kids de Tokyo. Nesse Dojo é usado faixa branca para mukyu, amarela para 10º kyu, laranja para 9º, azul para 8º, verde 7º, roxa de 6º a 4º kyu e marrom de 3º a 1º. Há livros, DVDs e fotos com essas informações publicadas, divulgando os programas atualizados da JKA e da JKS, só que não foram publicados no Brasil por que aqui tudo parou na década de 1970.

 

Comparação entre sistemas de graduação Kyu-Dan

Comparação entre sistemas de graduação Kyu-Dan

O sistema original de graduações Kyu-Dan foi desenvolvido, como mencionamos no início, por Jigoro Kano que era o chefe da Dai Nippon Butokukai, não por que os outros Budo copiaram o Judo, o Judo fazia parte do mesmo sistema. Originalmente as graduações no Japão consistiam de mukyu (sem classe, faixa branca), faixa marrom (classe de intermediários) e faixa preta (de 1º a 5º Dan). Depois foram introduzidos os graus antigos (kodansha – de 6º a 10º Dan para diferenciar os mestres antigos dos mais jovens que estavam recebendo graduações de faixa preta (yudansha). Isso ocorreu no final da década de 1960 e houve resistência da JKA em adotar os novos 5 Dan. Esse tipo de fato histórico está bem registrado em livros como “Kodokan Judo” de Jigoro Kano e “Moving Zen” de Randal Hassel. Os estágios intermediários de Kyu para diferenciar melhor os faixas coloridas foram sendo inseridos aos poucos. Primeiro a faixa roxa (às vezes azul), e mais tarde a verde. Outras cores são recentes no sistema japonês (sistema Kano). Uma última curiosidade sobre esse sistema é que na faixa das mulheres era costurada uma fita branca no centro da faixa, de ponta à ponta (detalharemos a seguir). Hoje em dia alguns dojo estão usando essas faixas horizontais para diferenciar Kyu dentro da mesma cor de faixa. Esse sistema Kyu-Dan japonês (sistema Kano) é composto atualmente de 10 Kyu e 10 Dan.

 

Outra coisa a esclarecer é o uso das faixas dos mais altos graus. No sistema Kawaishi até onde se sabe, cada faixa representava um Kyu e a preta todos os Dan. Recentemente professores europeus começaram a usar as faixas kohaku e vermelha para kodansha do estilo Shotokan, o que é repudiado pelas escolas japonesas.

 

No Brasil o sistema adotado pelo Shotokan pode ser chamado de Uriu-Tanaka, pois foi desenvolvido por esses dois mestres oriundos da Universidade de Takushoku e alunos de Masatoshi Nakayama que se radicaram no Rio de Janeiro. Os dois criaram um sistema de 6 Kyu com cores populares no Brasil, sendo essas: mukyu (faixa branca), 6º kyu (amarela), 5º (vermelha), 4º (laranja), 3º (verde), 2º (roxa) e 1º kyu (marrom). As graduações Dan sempre seguiram as diretrizes japonesas e se usou apenas a faixa preta. Faixa kohaku e faixa vermelha e preta (que não existe no Karate) deveriam ser banidas do Shotokan. De resto, as escolas tradicionais como a JKA, JKS e organizações como a ITKF sempre autorizaram e apoiaram o sistema Uriu-Tanaka no Brasil, pois cada país tem autonomia para adotar o sistema simbólico que for mais adequado à cultura local. Vale a pena lembrar que no Japão a faixa vermelha é a mais avançada, concedida para o 9º e 10º Dan, e no Shotokan do Brasil foi reduzida a uma mera faixa de 5º Kyu. Essa “desvalorização” também ocorreu com o modelo esportivo, já que a World Karate Federation adotou oficialmente a partir do ano de 2004 não apenas os protetores, mas também as faixas azul e vermelha para competidores (excluindo o uso das faixas normais de graduação Kyu-Dan).

 

 

Além da simbologia das cores que tem impacto maior ou menor em cada cultura local, há outra razão para a forma como o número de Kyu foi aumentando ao longo do tempo. No Japão a razão principal está certamente na ideia de que “tudo tem o seu lugar”, como nos ensina a antropóloga americana Ruth Benedict em seu célebre “O Crisântemo e a Espada”. Ou seja, foi uma forma de reforçar a hierarquia, deixando bem claras as posições de cada membro da comunidade de praticantes. No ocidente, apesar desse item também ter seus efeitos, no passado e ainda mais no tempo presente, o maior número de faixas funciona como recompensa extrínseca. Essas recompensas são usadas pelos instrutores como forma de estímulo aos estudantes. Com a crescente americanização da cultura nipônica esse efeito se vê presente também nas crianças japonesas.

Apesar dos vários tópicos importantes a se pensar, dentre eles programa técnico, habilidades motoras e estratégias que se quer ensinar em cada estágio, o crescimento moral dos alunos e a mercantilização da prática, se perde tempo discutindo outras coisas quase irrelevantes. Há uma grande discussão em que os instrutores estão mais preocupados com a cor da faixa do que com o conteúdo programático de cada Kyu, ou seja, preocupam-se com aparências e não com o que aplicar de programa técnico e qual metodologia de ensino utilizar. Na maioria dos casos nem sabem exatamente o que ensinar e cobrar em cada faixa e nem mesmo o porquê das cobranças. É como se ficassem se debatendo na escolha do título correto de uma redação que nem foi escrita (ou que está bem mal escrita). Há muito ainda o que se avançar em termos de qualificação técnica e acadêmica e melhor estruturação do ensino, das qualificações e das competições do Karate brasileiro. Evolução demanda mais estudo e mais qualificação, aspectos precários da atualidade.

 

Listras e Fitas nas faixas

fixa com listra Shinjigenkan Brasil

Antiga graduação feminina no Judo

As faixas com uma linha branca bem no meio que alguns estilos usam servem para diferenciar um Kyu pro outro. Originalmente, no Judô, as faixas dos homens eram da cor cheia e a das mulheres era da mesma cor, porém com a fita no meio, pois elas eram menos exigidas em exames de graduação, nos treinamentos e por um tempo não puderam competir. Isso foi uma herança da mentalidade higienista do início do século XX. Com a revolução feminista muitas coisas mudaram e uma das coisas a ser abandonadas no Judô foi a fita no meio da faixa, pois passou a ser vista como uma forma de evidenciar que a mulher era inferior ao homem na arte marcial. Recentemente, com os sistemas incluindo cada vez mais Kyu e a escala de cores das fábricas restritas, vem se usando ou a fita no meio ou faixas com duas cores para a diferenciação das classes.

 

Outros utilizam fitas para marcar o seu Dan na faixa, mas isso tecnicamente não existe no Karate Shotokan.

 

faixa com fitas Shinjigenkan Brasil

Faixas com fitas para identificar o grau do faixa preta. NÃO EXISTE ISSO NO SHOTOKAN!

No Judô, usava-se linhas brancas até o 5º Dan para diferenciar os graus. No 6º Dan as cinco linhas eram substituídas por um retângulo com mais uma linha em cima. Em alguns estilos do Karate de Okinawa e no estilo Kyokushin é comum ver o uso dessas fitas. Nesses estilos as fitas ou linhas bordadas brancas simbolizam do 1º ao 5º Dan. Depois de uma 1 a 5 linhas douradas (sem as linhas brancas), simbolizam do 6º ao 10º Dan. Mesmo assim, alguns estilos de Okinawa, como o Shorin, adotaram as faixas coral e vermelha. Isso tudo porém, nunca será observado em um mestre do estilo Shotokan possuidor de graduação 6º a 10 Dan. Nem as fitas, nem as faixas de outras cores, nem faixas de duas cores, nem com linhas no meio, nem camufladas, rosa, arco-íris, etc…

 

Graduações ofertadas

Sim, existem no Karate as graduações ofertadas, que são graduações dadas para alguém por mérito, falecimento ou outro motivo.

Abaixo estão as graduações ofertadas conhecidas:

 

1 – Meiyo-Dan (名誉段)

Um faixa preta honorário, um título que é oferecido à pessoa que contribui para a divulgação do Karate, em sua maioria não são praticantes de karate, neste caso sua graduação não permite examinar ou lecionar;

 

2 – Suisen-Dan (推薦段)

Grau por antiguidade do praticante, em que ele treina regularmente, mas não possuindo nível técnico para receber uma faixa preta, mas recebe a faixa preta como reconhecimento ao seu empenho.

 

3 – Jitsuryoku-Dan (実力段)

Quando um karateca é aprovado oficialmente para a faixa preta, se dá o nome de Jitsuryoku-Dan (実力段). Nas escolas tradicionais apenas um Jitsuryoku Yudansha (有段者)/Kodansha (高段者) pode examinar alunos para novos graus Kyu e Dan, ser instrutor pago para dar aulas e árbitro em competições oficiais.

 

Uniformes modificados e nomes de guerra

uniforme de elvis Shinjigenkan Brasil

O ridículo karategi de Elvis Presley, copiado por muitos picaretas das artes marciais…

Pessoal, essa é a pior parte. Se você encontrar alguém ensinando com um uniforme que não seja branco ou que estiver chamando os alunos Kyu por apelidos/nomes de guerra conquistados em seu exame de faixas CORRA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ! O

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